
Depois de o Senado dos EUA não ter conseguido avançar com a CLARITY Act, a SEC e a CFTC agiram rapidamente para preencher partes do vazio regulatório nos mercados cripto. Nos dois dias seguintes, a SEC anunciou uma isenção de cinco anos ligada aos “tokens de ações”, enquanto a CFTC delineou uma direção separada destinada a reduzir certos encargos de conformidade para empresas de software cripto.
Para além da vaga imediata de regulamentação, a questão maior para os participantes no mercado é quão estáveis serão estes novos quadros. Observadores do setor apontaram para mudanças jurídicas recentes que poderão tornar as regras das agências mais fáceis de contestar em tribunal — e para a possibilidade de futuras administrações remodelarem as abordagens regulatórias.
Principais conclusões
- A SEC avançou para a regulamentação do mercado de tokens com uma isenção de cinco anos para a emissão e negociação de tokens de ações após a votação falhada da CLARITY.
- A SEC também ofereceu clareza interpretativa sobre vários temas, incluindo recompra de tokens e o estatuto dos tokens de staking líquido.
- A CFTC propôs alterações que criariam uma categoria de registo de “mercado de ativos cripto” e permitiriam que as bolsas registadas oferecessem negociação com alavancagem.
- Especialistas jurídicos alertam que as regras regulatórias podem ser vulneráveis a revogação e a contestações judiciais, especialmente após grandes mudanças de doutrina do Supremo Tribunal em 2024.
- Orientações como as FAQ da SEC podem ajudar no planeamento de conformidade, mas não são o mesmo que legislação vinculativa ou regulamentação formal.
Reguladores apressam-se a redigir quadros após o falhanço da CLARITY
Com a CLARITY incapaz de garantir aprovação, a SEC e a CFTC avançaram para estabelecer as suas próprias regras e orientações para partes do ecossistema cripto. Dois dias após a votação falhada no Senado, a SEC introduziu uma isenção de cinco anos que permitiria a emissão e negociação de tokens de ações.
Os esforços de tokenização já estavam a progredir a par destes desenvolvimentos. Segundo reportagens referidas no artigo fonte, a OXK associou-se à ICE para levar a negociação a 63 ações cotadas na NYSE. Em paralelo, a Securitize lançou negociação on-chain para 12 ações dos EUA e as suas ofertas “Securitize Stocks” foram destacadas como incluindo grandes nomes como Apple, Nvidia e Microsoft, com o lançamento descrito num comunicado da PR Newswire: Securitize lança negociação onchain global de ações dos EUA com direitos de segurança.
A SEC também emitiu orientações destinadas a esclarecer que recomprar um token não o torna automaticamente um valor mobiliário, e que os tokens de staking líquido não são valores mobiliários. Separadamente, a agência propôs novas regras relacionadas com a custódia de ativos cripto.
O percurso da CFTC: alívio no registo de software e uma nova categoria de mercado
Enquanto o foco da SEC incluiu a mecânica de emissão de tokens e as regras de custódia, a abordagem da CFTC visou ajustar as expectativas de registo no lado dos derivados e da estrutura de mercado da regulação cripto.
Segundo o artigo fonte, a CFTC avançou para isentar certos fornecedores de software cripto dos requisitos de registo. Também propôs uma nova categoria de registo para aquilo a que chamou um “mercado de ativos cripto”, e sinalizou a intenção de permitir que as bolsas registadas oferecessem negociação com alavancagem.
Para os operadores de mercado, estas alterações importam porque as categorias de registo determinam que licenças uma plataforma necessita, que produtos pode oferecer e como os reguladores avaliam a conformidade. Também podem influenciar a rapidez com que as empresas decidem expandir-se para novas jurisdições ou novas linhas de produtos — particularmente em áreas como a alavancagem, onde o perfil de risco é mais elevado e as proteções dos consumidores são tipicamente mais rigorosas.
Porque a durabilidade — e não apenas a direção — se tornou o risco central
Mesmo com os reguladores a avançar, há incerteza sobre quanto tempo durará qualquer novo quadro da SEC ou da CFTC. Alguns no setor levantaram preocupações de que as regras regulatórias possam ser “construídas sobre areia movediça”, especialmente se futuras decisões judiciais limitarem a margem de manobra das agências ou se as administrações revisitarem prioridades regulatórias.
O artigo fonte atribui cautela adicional à TD Cowen, observando que as regras das agências são vistas como mais fáceis de revogar. Também aponta um exemplo da mudança regulatória mais ampla após a era de Gary Gensler, onde regras foram alegadamente removidas por comissários nomeados sob o Presidente Trump.
Especialistas jurídicos na fonte enfatizaram ainda que a estabilidade da regulamentação foi complicada por desenvolvimentos do Supremo Tribunal. O artigo cita uma decisão do Supremo Tribunal de 2024 que afeta o grau de deferência que os tribunais concedem às interpretações das agências. Nesse contexto, a discussão explica que uma mudança de doutrina afastando-se da deferência ao estilo Chevron pode tornar mais provável que os tribunais apliquem independentemente a interpretação estatutária em vez de deferirem à leitura de uma agência.
O que a doutrina judicial e a prática das agências podem significar para as regras cripto
Para explorar como a doutrina jurídica pode afetar a regulamentação da SEC e da CFTC, o artigo fonte inclui uma conversa editada com Yuriy Brisov, da D&A Partners. Os seus comentários enquadram dois temas ligados: a autoridade das agências para criar e interpretar regras, e a facilidade com que os tribunais podem anular essas regras dependendo da base jurídica utilizada.
Sobre a questão de saber se as agências se destinam a criar regras, Brisov argumenta que o poder regulamentar da SEC deriva do seu estatuto habilitante ao abrigo da Lei das Bolsas de 1934. Também caracteriza o papel regulador da SEC como tendo sido concebido para adaptar as leis gerais dos valores mobiliários às novas tecnologias à medida que surgem.
No entanto, também sugere que a capacidade de uma agência de inverter o rumo — como interpretar a lei de forma diferente de uma SEC nomeada por uma administração anterior — tem limites práticos e jurídicos. Segundo Brisov, regulamentos que impõem encargos económicos desproporcionados ou carecem de uma base defensável podem ser contestados em tribunal. Cita o desafio bem-sucedido da comunidade empresarial em “Business Roundtable vs SEC” como exemplo de como as interpretações regulatórias podem ser anuladas.
A conversa também aborda o impacto da decisão do Supremo Tribunal de 2024 que anulou o Chevron. A visão de Brisov, conforme apresentada na fonte, é que os tribunais podem já não depender tanto das interpretações das agências quando os estatutos são ambíguos. Em vez disso, os tribunais deverão aplicar padrões jurídicos anteriores, incluindo os derivados do teste Howey, usando o seu próprio raciocínio.
Brisov argumenta ainda que a reversão de regras depois de os participantes no mercado confiarem em novos quadros não é simplesmente discricionária para um regulador que entra em funções. Descreve uma abordagem “IRAC” — issue, rule, analysis, conclusion (questão, regra, análise, conclusão) — como forma abreviada da necessidade de justificar alterações com lógica transparente, raciocínio económico e explicações apoiadas em investigação.
Orientações, FAQ e recompra de tokens: úteis — mas não equivalentes à lei
Uma das questões operacionais mais imediatas levantadas pela fonte é como as empresas devem tratar as orientações da SEC que esclarecem a classificação de produtos sem depender de uma alteração legislativa completa.
O artigo destaca que a SEC emitiu uma FAQ indicando que uma empresa cripto recomprar o seu próprio token não converte necessariamente um token num valor mobiliário. Em resposta, Brisov diz que seguir orientações criadas por quem “sabe o que está a dizer” pode deixar as empresas numa posição de conformidade mais segura, mas sublinha que as FAQ não são legislação. No seu enquadramento, as FAQ funcionam mais como explicação do pessoal — semelhante a um manual — e não têm a mesma autoridade que regras formalmente promulgadas.
Também observa que a SEC pode reescrever frequentemente as orientações do pessoal, apontando para uma reescrita uma semana depois mencionada na fonte após comentários do conselheiro jurídico da a16z sobre uma alegada lacuna.
Para programadores e emitentes de tokens, a distinção é crucial: uma FAQ pode reduzir a incerteza a curto prazo, mas também pode mudar com prioridades de aplicação ou interpretações jurídicas. Isso torna importante que as empresas tratem as orientações como um input de risco dinâmico, não como um contrato permanente com os reguladores.
O ponto mais amplo de Brisov, conforme refletido no artigo fonte, é que se as agências quiserem apertar ou inverter interpretações, ainda têm de explicar o seu raciocínio e defendê-lo contra escrutínio jurídico. Para os participantes no mercado, isso significa observar não apenas o que os reguladores propõem, mas como os tribunais respondem e se as agências conseguem substanciar a sua lógica no ambiente de deferência revisto.
Olhando em frente, a questão-chave para os mercados de tokens é se os novos quadros da SEC e da CFTC se revelarão resilientes em tribunal e se a clareza impulsionada por orientações se transformará em regras estáveis e duradouras sobre as quais as plataformas possam construir com confiança.
Este artigo foi originalmente publicado como As regras cripto da SEC e da CFTC podem ser anuladas? Parecer jurídico em Crypto Breaking News – a sua fonte de confiança para notícias cripto, notícias Bitcoin e atualizações blockchain.
